Taxa de desocupação recua para 6,8% no trimestre encerrado em julho
O índice, o menor desde o segundo trimestre de 2024, é calculado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua e abrange o conjunto das regiões metropolitanas.
A taxa de desocupação do Brasil recuou para 6,8% no trimestre móvel encerrado em julho de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na última quarta-feira. O resultado é o menor registrado desde o segundo trimestre de 2024 e representa uma redução de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre imediatamente anterior.
O que os dados indicam
A população desocupada somava 7,6 milhões de pessoas no período, com redução de cerca de 430 mil em relação ao trimestre encerrado em abril. A população ocupada chegou a 104,2 milhões, com crescimento de 1,1% na mesma base de comparação. O IBGE registrou expansão do emprego formal e informal, mas o avanço foi mais pronunciado nos segmentos com carteira assinada no setor de serviços, especialmente comércio, transporte e armazenagem.
A taxa de subutilização da força de trabalho — indicador mais amplo que inclui desempregados, subocupados por insuficiência de horas e trabalhadores na força de trabalho potencial — ficou em 17,2%, queda de 0,6 ponto percentual frente ao trimestre de abril. O rendimento médio real do trabalho avançou 2,3% em termos reais na comparação anual, chegando a R$ 3.280 mensais no conjunto dos trabalhadores.
Distribuição por setor e região
Quatro características do resultado merecem atenção segundo os microdados da pesquisa.
- O setor de serviços respondeu por 68% da geração líquida de empregos no trimestre, com destaque para comércio varejista e prestação de serviços às famílias
- A região Nordeste registrou a maior queda proporcional na desocupação, de 8,9% para 8,3%, mas ainda mantém a maior taxa entre as cinco regiões do país
- O trabalho por conta própria sem CNPJ cresceu 3,2% em relação ao trimestre anterior, sinal de que parte da absorção ocorreu fora do emprego formal
- Jovens de 18 a 24 anos ainda apresentam taxa de desocupação de 18,4%, mais de duas vezes e meia superior à média nacional
"A queda da desocupação é consistente com três trimestres seguidos, o que sugere que não se trata de variação sazonal isolada — mas o rendimento real ainda cresce abaixo do que seria esperado nesse ritmo de geração de vagas." — Pesquisadora de mercado de trabalho, centro de pesquisa aplicada do Rio de Janeiro
Próximas divulgações
O IBGE divulga a próxima PNADC mensal na segunda semana de outubro, com dados de referência para o trimestre encerrado em agosto. A série trimestral será publicada em novembro. A Pauta Fria acompanha regularmente a divulgação da pesquisa e confronta os dados com as informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho.
A metodologia da PNADC utiliza um painel rotativo de domicílios, com cada unidade sendo visitada até cinco vezes ao longo de dois anos e meio. Os dados divulgados na última quarta-feira foram coletados entre maio e julho de 2026. O erro amostral máximo estimado para a taxa de desocupação nacional, com nível de confiança de 95%, é de 0,2 ponto percentual, segundo nota técnica do IBGE.
Pauta Fria
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