Contas Públicas

Déficit primário do governo central sobe para R$ 28,4 bilhões em agosto

O resultado negativo acumula R$ 61,7 bilhões no período de janeiro a agosto, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados na última sexta-feira.

Documentos fiscais impressos sobre mesa de trabalho com caneta e calculadora à vista

O governo central registrou déficit primário de R$ 28,4 bilhões em agosto de 2026, resultado que eleva o acumulado do ano para R$ 61,7 bilhões negativos, segundo o Resultado do Tesouro Nacional divulgado pelo Ministério da Fazenda na última sexta-feira. O número supera em R$ 4,2 bilhões o registrado no mesmo mês de 2025, quando o déficit de agosto havia ficado em R$ 24,2 bilhões.

Composição do resultado

A receita líquida do governo central totalizou R$ 192,3 bilhões em agosto, crescimento de 7,1% em termos reais na comparação com agosto do ano anterior. A Receita Federal registrou arrecadação acima do previsto nas rubricas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, reflexo dos balanços corporativos do segundo trimestre. As despesas primárias, por sua vez, somaram R$ 220,7 bilhões, alta de 9,8% em termos reais, puxadas pelas transferências constitucionais, pela expansão dos benefícios previdenciários e pelo crescimento dos gastos com pessoal ativo.

A diferença entre as taxas de crescimento de receita e despesa é a principal explicação para o alargamento do déficit em relação ao mesmo período do ano anterior. O Tesouro destacou na nota que os gastos com benefícios do Regime Geral de Previdência Social cresceram 8,4% em termos reais em agosto, ritmo superior à expansão da massa salarial formal no período.

Vista interna de sala de reunião em órgão público com projetor e cadeiras dispostas em torno de mesa longa
Dados referem-se ao resultado primário do governo central em agosto de 2026, conforme nota do Tesouro Nacional.

Componentes que determinaram o resultado

Quatro itens se destacam na abertura dos dados divulgados pelo Tesouro.

  • Transferências constitucionais ao Fundo de Participação dos Estados e Municípios cresceram 11,2% em termos reais, reduzindo a receita líquida disponível para o governo central
  • Despesas com pessoal ativo avançaram 6,3% em termos reais, acima da inflação acumulada no período
  • Benefícios previdenciários do RGPS corresponderam a R$ 72,8 bilhões no mês, crescimento de 8,4% real ante agosto de 2025
  • Receitas não recorrentes oriundas de acordos de parcelamento de dívida tributária contribuíram com R$ 3,1 bilhões, mas não foram suficientes para reverter a piora do resultado
"O acúmulo de déficit no ano está dentro do intervalo projetado pelo governo, mas a composição das despesas — especialmente a previdência — é o fator que mais demanda atenção na leitura mensal." — Economista de finanças públicas, fundação de pesquisa aplicada do Rio de Janeiro

Projeção para o encerramento do ano

O governo central estima para 2026 um déficit primário de até R$ 70 bilhões, intervalo que comporta o resultado acumulado até agosto, mas com margem reduzida para os quatro meses restantes. O Tesouro Nacional projeta que o quarto trimestre costuma concentrar receitas extraordinárias, como pagamentos de parcelamentos tributários e dividendos de empresas estatais, o que pode reduzir o déficit anualizado nos dados de dezembro.

O próximo Resultado do Tesouro Nacional, referente a setembro, será publicado no último dia útil de outubro. A Pauta Fria acompanha mensalmente os dados do Tesouro, do Banco Central e da Receita Federal, confrontando as séries para verificar consistência interna. Os microdados utilizados nesta reportagem estão disponíveis no portal Dados Abertos do governo federal, com acesso irrestrito.

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