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Resultados do segundo trimestre mostram retração nos lucros do setor financeiro

Balanços divulgados entre julho e agosto apontam queda média de 4,3% no lucro líquido de grandes conglomerados em relação ao mesmo período do ano anterior.

Monitor de computador exibindo gráfico de desempenho financeiro em sala de trabalho com luz natural

Os resultados do segundo trimestre de 2026, divulgados ao longo de julho e agosto, revelam uma retração nos lucros dos principais conglomerados do setor financeiro brasileiro. A queda média de 4,3% no lucro líquido em relação ao mesmo intervalo de 2025 é atribuída a uma combinação de provisões mais elevadas para créditos de liquidação duvidosa e à compressão das margens nas carteiras de crédito pessoal e imobiliário.

O que os balanços revelam

Os relatórios trimestrais apresentados ao mercado mostram que as receitas de serviços financeiros — tarifas, administração de fundos e seguros — mantiveram crescimento entre 6% e 9% em termos nominais. O problema concentrou-se nas provisões para devedores duvidosos, que avançaram em média 18% na comparação anual, corroendo boa parte dos ganhos operacionais. Os dados foram extraídos dos demonstrativos protocolados junto à Comissão de Valores Mobiliários no período de 5 a 28 de agosto de 2026.

A carteira de crédito ampliada do sistema seguiu em expansão, com crescimento de 11,4% no acumulado de doze meses até junho, segundo levantamento do Banco Central divulgado em julho. O avanço não foi, no entanto, suficiente para compensar a deterioração das margens, especialmente nos segmentos de menor renda, onde as taxas de inadimplência recuaram apenas parcialmente em relação ao pico observado no primeiro trimestre.

Tela de relatório financeiro aberta em notebook sobre mesa de escritório iluminada
Documentação de balanço trimestral em ambiente de análise econômica. Os dados referem-se ao período de abril a junho de 2026.

Fatores que explicam o movimento

Quatro elementos foram recorrentes nas notas explicativas dos balanços analisados pela redação da Pauta Fria.

  • Aumento das provisões para crédito de liquidação duvidosa, em especial nos segmentos de cartão e crédito pessoal sem garantia
  • Compressão do spread médio das carteiras imobiliárias diante da estabilidade da taxa Selic desde março de 2026
  • Crescimento das despesas administrativas acima da inflação, impulsionado por investimentos em infraestrutura tecnológica
  • Desaceleração das receitas de tesouraria em função do menor volume de operações de mercado aberto no período
"Os números do trimestre refletem um ambiente de normalização do crédito após dois anos de expansão acelerada — as provisões sobem porque a carteira amadureceu, não necessariamente porque a inadimplência disparou." — Analista de crédito, consultoria de risco do Rio de Janeiro

Perspectivas para o segundo semestre

As comunicações ao mercado emitidas pelas instituições com resultados publicados até a data de fechamento desta reportagem indicam cautela para o terceiro trimestre. A maioria projeta manutenção do ritmo de provisões nos próximos três meses, com possível reversão parcial no quarto trimestre, caso os índices de inadimplência das carteiras mais novas confirmem a trajetória de queda observada em junho e julho.

O Banco Central publica sua próxima nota de crédito do sistema financeiro na primeira semana de outubro. Os dados incluirão a inadimplência desagregada por segmento e por porte de tomador, o que permitirá uma leitura mais precisa do quanto o movimento de provisões reflete deterioração real ou postura conservadora das tesourarias. A Pauta Fria acompanhará a divulgação.

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